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'Ba-Vi da Paz' acabou em guerra

'Ba-Vi da Paz' acabou em guerra

19/02/2018 às 04:31

Era para ser o clássico da paz. Bahia e Vitória entraram em campo nesse domingo (18) para celebrar a paz. Mas, dentro das quatro linhas, o que se viu foram execráveis cenas antidesportivas e de violência protagonizadas pelos atletas.

Tudo começou quando o Bahia empatou o jogo, e o marcador do gol, Vinícius, fez a "Dança do Créu" na comemoração, perto da torcida rubro-negra, o que irritou os jogadores do Vitória. Na sequência, uma pancadaria generalizada e com direito a um soco digno de UFC desferido pelo zagueiro Kanu, do Vitória, em Vinícius.

Com fim da briga, e após algumas expulsões, o jogo recomeçou, mas os atletas do Vitória, aparentemente, forçaram expulsões para que a equipe ficasse com menos de seis atletas e a partida fosse encerrada.

O Regulamento Geral das Competições da CBF estabelece, em seu art. 56, que “nenhuma partida poderá ser disputada com menos de sete (7) atletas” e que, “após o início da partida, se uma das equipes ficar reduzida a menos de sete (7) atletas, dando causa a essa situação, tal equipe perderá os pontos em disputa.”

Ainda segundo o mesmo artigo, o resultado da partida será mantido se, no momento do seu encerramento, a equipe adversária estiver vencendo por um placar igual ou superior a três gols de diferença; e se isso não ocorrer, o resultado considerado será de 3 a 0 para a equipe adversária.

Portanto, no caso em questão, o Bahia venceu o Vitória por 3 a 0.

No que diz respeito aos atletas, todos eles, seguramente, serão denunciados ao TJD da Federação Baiana de Futebol (inclusive o treinador, Vagner Mancini, caso tenha instruído os atletas a forçarem as expulsões) e estarão sujeitos a penas de multa e suspensão bastante severas.

Além disso, conforme o art. 55 do Regulamento Geral das Competições da CBF, tendo havido influência efetiva do treinador no resultado da partida pelo fato de conferir a instrução de forçar as expulsões, pode haver a pena severíssima até de vedação de continuar exercendo funções no futebol.

A justificativa para a confusão foi a comemoração do atleta do Bahia, que teria desrespeitado a torcida do Vitória. Imprescindível ressaltar que nada, absolutamente nada, justifica a violência. Além disso, por mais desrespeitosa que uma comemoração de gol possa ser, cabe ao árbitro punir eventual atitude antidesportiva, e não aos próprios atletas fazerem justiça com as próprias mãos.

Também cabe dizer que o gol é o momento máximo do futebol, e que, como tal, a irreverência, que tanto caracteriza o jogador brasileiro, deve prevalecer. Tanto a comemoração do Vinícius Júnior, no chororô do Flamengo contra o Botafogo, quanto o créu do Vinícius, do Vitória, representam a leveza, a ousadia e a alegria.

A conduta dos atletas não viola o respeito à essência das normas, pois não ocorreu violência ou prejuízo ao andamento da partida. Foram meros gracejoss.

O futebol e a vida precisam de mais leveza e de menos “politicamente correto”. Brincadeiras e atos de descontração como comemorações inusitadas e atitudes excêntricas, desde que não perturbem o bem-estar e o andamento da partida, devem ser toleradas e até incentivadas.

O futebol está na alma do povo brasileiro e sua importância extrapola as quatro linhas.

O Brasil conquistou a alcunha de “país do futebol” graças ao seu jeito “moleque”, leve e bonito de jogar, e não por possuir 11 “robôs” disciplinados. A irreverência do futebol brasileiro encantou o mundo nas Copas de 1958, 1962, 1970 e 1982.

O que seria do futebol brasileiro sem os dribles moleques de Garrincha, o descompromisso tático de Zagallo, a malandragem de Romário ou a ousadia de Pelé?

Se o futebol brasileiro insistir na “chatice” do “politicamente correto” e do rigor disciplinar, inclusive com relação a atos lúdicos e românticos como as comemorações excêntricas, o atleta brasileiro perderá a sua alma e o espetáculo ficará mais triste.

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