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O nome da morte

O Calazans vai contar, arrepiado, detalhes... no Chamada Geral de sábado 

10/08/2018 às 11:09

Carlos Calazans é conhecido da maioria dos mineiros por sua militância no mundo do sindicalismo. Em 1985 foi escalado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para prestar solidariedade à família de Nativo da Natividade, líder de trabalhadores rurais assassinado em Carmo do Rio Verde, em Goiás. Dezenove anos depois, Calazans era delegado regional do trabalho em Minas e foi procurado pelo jornalista Klester Cavalcanti, da Revista Veja, que queria informações para realizar uma reportagem sobre trabalho escravo. 

Dois anos mais tarde, em 2006, Calazans esperava voo no aeroporto de Brasília, foi à livraria e viu um livro com o título “O nome da morte”, e um autor que ele conhecia: Klester Cavalcanti. Comprou e começou logo a ler.

Tratava-se da história real de um homem que matara, até então, 492 pessoas. Impressionante. Mas, embora já soubesse que o autor era sério e bom de serviço, pensou: será possível? E eis que ao chegar à página 200 do livro, Calazans descobre a narração cheia de detalhes de como Júlio matou Nativo da Natividade... Aquele sindicalista cuja execução incomodava a CUT e doía no coração do mineiro porque vira de perto o sofrimento da viúva, dos filhos, e, pior, soubera pouco tempo depois que o acusado de mandante, prefeito da cidade, Roberto Pascoal, havia sido absolvido por falta de provas.

Júlio deu todos os detalhes da encomenda, preparação, de como mirou e acertou a cabeça da vítima, acrescentando que descobriu com o intermediário que o levara ao cenário do crime que o tio recebera 6 milhões pelo assassinato e não apenas 2, como dissera... Ou seja, foi ali que Júlio rompeu com o tio, com quem aprendeu, aos 17 anos, o ofício de matador, e pelas mãos de quem foi ser guia do exército na floresta, tendo ajudado a conter, no tiro, guerrilheiros do Araguaia, que lutavam contra o governo militar, tendo matado a jovem guerrilheira Maria Lúcia Peti e capturado, no tiro, José Genoíno, que mais tarde seria político dos mais conhecidos.

Acredite, amigo ouvinte Itatiaia, Júlio matou 492 pessoas e tem tudo anotado numa caderneta... E dá detalhes. E nunca pagou pelos crimes. E, talvez, ainda esteja vivo, no Maranhão ou qualquer parte da Floresta Amazônica. Sem remorso, porque quando recebeu a sugestão de matar o primeiro disse que não faria de jeito nenhum, com medo de ir para o inferno... O tio tranquilizou, dizendo que bastava rezar 10 Ave-Marias e 20 Pais-nossos que estaria perdoado.

Se você quer saber mais, ouça o “Chamada Geral” deste sábado (11) que o Calazans vai contar, arrepiado, detalhes... e assista ao filme, com o mesmo título do livro, “O nome da Morte”,  estrelado por globais e em cartaz nos cinemas de Belo Horizonte.

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