Eduardo Costa

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Infelicidade no trabalho mata

Infelicidade no trabalho mata

10/08/2017 às 11:32

Uma vez, quando eu tinha por volta de 13 anos e trabalhava no Hotel Londres, ouvi de um vendedor paulista que se hospedava lá com frequência: “Você vai ser feliz porque trabalho mais amor é igual a sucesso”. Não entendi direito, mas, como previa dias melhores, agradeci. Ele estava me dando uma das senhas mais importantes para a vida dentro do que chamam de população economicamente ativa, ou seja, o período da vida em que a gente é produtivo, precisa trabalhar para preparar a nossa e pagar a aposentadoria dos outros.

Dia desses, estive em um supermercado da Avenida Nossa Senhora do Carmo, passei pela padaria e fui para o caixa, feliz porque não havia fila. A moça não disse bom dia, não sorriu, não abriu a cara feia; apenas pegou os itens, passou um por um para a leitura do código de barras e, diante da nota de 20 reais que lhe dei, perguntou: “Não tem trocado?”. Disse que não, ela, mais resmungando que falando, chamou uma colega para ir trocar o dinheiro. A outra saiu se arrastando pela escada rumo ao mezanino e voltou três minutos depois (não parece, mas, marque no relógio para ver que é demorado), descendo a escada na maior lentidão, cantarolando... A caixa, cabeça baixa, cara amarrada, até entregar o troco, sem qualquer preocupação com o destino dos produtos já que, na vida moderna, não há quem embrulhe, não há papel, a sacola é proibida, ou seja, que o consumidor se vire.

Olhava para aquela moça e me perguntava como as empresas se preocupam com a perfumaria e esquecem o essencial. Gastam com prateleiras, fachadas, propagandas e se esquecem de treinar o pessoal, quem atende... Podem até dizer que fazem e o trabalhador, por conta e mau humor próprio, trata mal... Neste caso, deviam instalar câmeras e, vez por outra, monitorar o atendimento. Não digo isso para punir. De repente, uma servidora atenciosa, boa de serviço, está com uma TPM daquelas e pode perfeitamente ser dispensada pelo chefe para que volte animada no dia seguinte. 

Mas, no fundo, estava triste mesmo era com a moça do caixa. Por que alguém que tem um emprego, nestes tempos bicudos, sente-se tão infeliz? E fiquei lembrando que dois tempos antes voltava de férias em voo internacional e também ali havia gente se esforçando para segurar o emprego. Aquele tempo em que o piloto era autoridade e a aeromoça o sonho de toda moça acabou, mas, agora, do jeito que os comissários de bordo tratam passageiros, parece que estão fazendo favor.

Assim que o avião ganha altura eles aparecem, servem o que têm rapidamente e evitam sorriso, aproximação, qualquer tipo de abertura para que, depois, o passageiro possa pedir algo. Voltam para seus postos de onde só levantam quando chega a hora do outro lanche, antes do voo. E nenhuma empresa monitora, põe o um superior disfarçado, descobre o e corrige o comportamento.

Fica parecendo que estou pedindo punição para trabalhadores. Não. Quero respeito ao consumidor. E que as pessoas cuja profissão é um suplício, mas, não têm coragem de partir para outra, sejam advertidas, quem sabe demitidas e, assim, de maneira forçada, possam experimentar a alegria de fazer o que gostam. Afinal, a gente passa tempo demais no trabalho para cumprir tarefas sem gostar, sem amar. E o número de pessoas que sofrem é gigantesco.

Recentemente, li que a insatisfação com a atual carreira motiva a busca de um novo rumo profissional, por meio de outra formação ou do empreendedorismo. Levantamento encomendado pela Giacometti Comunicação, em 2016, mostra que 52% dos brasileiros na faixa dos 30 anos não estão felizes com a carreira. Outra pesquisa, da International Stress Management Association, realizada no Brasil em 2015, apurou que 72% das pessoas não estão felizes com o trabalho. Há outra constatação, ainda mais triste: as pessoas não buscam oportunidades pela vocação. Cerca de 70% daquelas que fazem direito, por exemplo, escolhem o curso para passar num concurso e ter estabilidade, segurança. Assim, acabam trabalhando pensando no fim de semana”.

Será que as pessoas não percebem que as atividades econômicas tal como conhecemos estão acabando e só os serviços sobreviverão. E serviço, sem bom atendimento, cara aberta, prazer em servir, não existe. 

Os patrões e empregados precisam visitar a Disney para ver como todo mundo abre a cara – de verdade – na hora de atender. Ou, se tiver pouco dinheiro, dar um pulinho no Tauá em Caeté para sentir com a família de João Pinto Ribeiro soube captar a essência da alegria no batente do dia a dia.

Que Deus me proteja de trabalhar sem gostar, fazer as coisas sem tesão, conviver com colegas que não suporto, me sentir injustiçado, pouco aproveitado e pensar só no salário. Que ele permita a mim e a todos o trabalho com amor, com sentimento de ser útil através do que se faz. Amém.

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