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Eu tenho a solução

O Brasil está horrorizado com as notícias do sistema penitenciário e eu tenho uma péssima notícia: assim que a poeira baixar, não teremos medidas eficientes

19/01/2017 às 02:30
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Eu tenho a solução

O Brasil está horrorizado com as notícias do sistema penitenciário e eu tenho uma péssima notícia: assim que a poeira baixar, não teremos medidas eficientes, capazes de mexer na estrutura dos presídios e mudar a nossa realidade. Falo com a experiência de 40 anos cobrindo os discursos e a inoperância das autoridades, sentindo de perto a situação só piorar. Quando ouço um “especialista” prever a possibilidade de as facções criminosas tomarem conta das cadeias, me pergunto onde ele se especializou para só saber disso agora.

Aliás, por falar em “especialistas” – nome comumente dado a palpiteiros no país de hoje –, quero jogar a modéstia de lado para dizer que tenho a solução para o problema. Na verdade, as soluções. E quem ouve a Itatiaia há mais tempo sabe que tenho repetido insistentemente o caminho. Primeiro, é preciso diferenciar quem é criminoso e quem é bandido. Ora, crime, eu, você, qualquer humano pode cometer, movido por emoção, falta de juízo ou soberba; o bandido é outra coisa, ladrão incorrigível, estuprador cruel, assaltante frio, político corrupto...

Vamos tratar primeiro do criminoso, que é a maioria esmagadora dos 700 mil presos brasileiros. Para este, temos de ter penas alternativas, com monitoramento do Estado: brigou no estádio, vai ficar lá, na porta, com colete amarelo (ou de outra cor que o identifique como pagador de dívida) ajudando a organizar fila, auxiliando pessoas com deficiência etc.; ameaçou a mulher, vai dormir na delegacia e, depois, durante um período, por algumas horas diárias, ajudar num asilo. Outra infração digna de pena alternativa é o pichador. Esse vai lavar defuntos no IML. O cara que briga no trânsito vai passar por reciclagem e depois fazer palestras para crianças sobre paz na cidade. Enfim, todo mundo que sair da linha vai trabalhar com algo que remeta à necessidade de ser fraterno, educado, gentil. Nos casos graves, como homicídio, tem de ter a privação de liberdade. Na Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado)! Já falei um milhão de vezes que, se fosse governador, chamaria juízes, promotores e prefeitos para construirmos uma Apac em cada município. Teríamos, então, 853 presídios onde a ressocialização é, de fato, possível; cada preso custa menos de R$ 1 mil por mês (três vezes menos que em qualquer outro sistema) e tem 90% de chances de não voltar ao crime. Precisa de mais argumento?

Para o bandido, as cadeias estaduais e federais (estas em locais secretos e destinadas aos líderes) com uma rotina simples: acordar às 6h da manhã, ducha fria (não estou falando em chuveiro, mas, apenas, um cano com água fria), pão com manteiga e café, subir no caminhão, ir até a pedreira, quebrar pedra de 7h às 11h, almoço com arroz, feijão e verdura, porque carne só domingo. Ah, enquanto trabalham, os presos estarão com barras de chumbo presas aos pés e observados por agentes armados e autorizados a atirar. Sem tortura, sem privilégio, sem rádio, sem TV, com visitas limitadas e sem contato físico.

Poderia escrever mais cinco laudas, mas, para quê, se o básico é isso? 

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