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Eduardo Costa

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Eu amo meu quintal

Nos Estados Unidos, há um movimento que chamam de “I love my backyard” que significa, em tradução mais rápida e descomplicada, gostar da casa...

11/11/2016 às 01:51

Nos Estados Unidos, há um movimento que chamam de “I love my backyard” que significa, em tradução mais rápida e descomplicada, gostar da casa da gente, sentir o cheiro da varanda, criar galinha ou cultivar orquídeas nas árvores... Ser caseiro! Impressionante como cada vez mais eu quero ficar em casa, tenho preguiça da noite, dos eventos, de multidão e de agito. E me pergunto se não é a má velhice, rabugice, mas, imediatamente me tranquilizo, pois, graças a Deus, continuo adorando a rua, caminhar na Praça da Liberdade ou no Parque Municipal, visitar o Catatau no Distrital do Cruzeiro e, principalmente, sentir cheiros e cores do Mercado Central.

Na verdade, estou mais recluso porque o mundo está mais chato. Não eu. Claro que a idade pesa. A paciência até aumenta com o tempo, só que a sabedoria de evitar a chateação atinge níveis divinos. Anos atrás encontrei o Nelinho – aquele mesmo, jogador raro, gente boa; bem casado com dona Wanda – e disse a ele que um dos meus sonhos era comprar uma casa nos morros de Nova Lima, para sentir o vento da montanha e, se possível, ver o sol nascer atrás da Serra do Gandarela. Ele advertiu: “Você corre o risco de ficar anti-social”. Fui e fiquei. Sair de casa, na sexta a noite, no sábado pela manhã, ou a qualquer hora no domingo só se for por motivo muito especial, como comprar canjiquinha para os canários no Mercado.

Essa divagação resulta de uma experiência na última quarta-feira. Realizei um antigo sonho de minha mulher de ver Messi e Neymar. Os preparativos começaram 45 dias atrás quando pedi ao colega Mateus Castanha para comprar os ingressos. Especialista em internet, ele precisou de cinco horas para conseguir, depois de adiamentos, indefinições e uma canseira da CBF. Depois, teve de ir ao posto fixo retirar o ingresso. Não bastasse, ainda pagou 40 reais a mais por entrada a título não sei do quê. Quando falamos de sonho, superamos a extraordinária capacidade nossa de complicar as coisas simples. Detalhe: depois de anunciar por dias a fio que só teriam acesso ao Mineirão torcedores com ingresso, a entidade que comanda nosso futebol abusou das rádios para insistir, horas antes da partida, que três mil ingressos estavam encalhados. Mesmo assim, 53 mil foram e a renda superou 12 milhões de reais. Dinheiro que a gente não sabe se será utilizado para melhorar o esporte, dada a história da entidade.

Pior que a CBF, só a BHTrans. Na verdade, ambas têm algo em comum: estão desmoralizadas. A nossa empresa de trânsito e transportes perdeu o direito de multar e passou a fazer de contas. Amigos, quantas vezes fui ao estádio com público de 80, 90, até 120 mil pessoas e, embora mais demorado, o tráfego fluía. Agora, depois da BHTrans, impossível. Nesta quarta, saí as 7 da noite no Bairro Funcionários, esperei o táxi por 20 minutos na porta, consegui chegar as 8h na Avenida Carlos Luz e, com a dica da repórter no rádio, resolvi sair do atoleiro mudando o curso, pelo Caiçara, Pedro II, Avenida Tancredo Neves, Bairro Ouro Preto e Avenida Fleming. Dali, minha mulher e eu corremos até o estádio aonde chegamos pouco depois das 9h...

O tropeiro não é mais aquele, a couve das antigas tinha molho de tomate por cima que fazia a diferença... Ah, antes de o jogo começar, o arroz já tinha acabado. Tristeza. Dentro do estádio, não adianta ter cadeira numerada se o infeliz que está à frente insiste em ficar em pé. Tome bolinha de papel nele! E minha mulher apavorada – “Confusão não, é um jovem, de braços fortes, se resolve te bater...”. Na boa, como estragaram o estádio depois de gastar uma fortuna! Diminuíram o estacionamento pela metade, derrubaram árvores, fizeram um deserto de concreto e até a ventilação piorou... Lá dentro tá um calor danado!

E começa o jogo. Espetáculo. Tite é do ramo, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus nasceram pro campo e Neymar é coisa do outro mundo. Espetáculo. Alegria pura! Vale a pena!

E, 3 a 0, fatura liquidada, 35 do segundo tempo, chamei minha mulher para irmos embora. Ela nem se mexeu, apenas resmungou: “Vou só quando acabar, sem pressa”. Advinha se, depois, caminhamos até a Antônio Carlos e tomamos táxi em cima de um viaduto, no meio de um monte de alucinados, disputando uma corrida? Enfim, uma da madrugada, em casa. Para quem precisava levantar as cinco e só conseguiu dormir as duas, esse jogo será mesmo inesquecível. Já avisei a patroa que sonho desses agora só daqui a dez anos!

E vou dizer uma coisa para o futuro: como sonhar com metrô na porta dos estádios, como no mundo inteiro, é demais, pelo menos, caro Kalil, faça alguém da BHTrans pensar dois minutos sobre os eventos... Ah, peça também à companhia, a Guarda Municipal, a Polícia Militar, quem puder ajudar para colocar pelo menos um agente a cada dois quilômetros... Afinal, não há nada pior que estar encurralado, absolutamente abandonado, pensando no arrastão e não ver um funcionário público por perto…

Mas, faça isso para os outros, meus amigos, minhas filhas, pois, eu, cada vez mais, vou amar meu quintal, sem flanelinha, sem maus educados, sem incompetentes, sem aborrecimentos. A rua, atualmente, me lembra uma frase bem humorada: “O mundo é bom, está é mal habitado”.

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