Eduardo Costa

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Domingo na praça

13/11/2017 às 12:47

Depois de deixar a caçula no posto de prova do Enem, revisitei a Praça da Liberdade como há muito não fazia. Sem pressa, sem celular, sem companhia, sem compromisso. Primeiro, fui espiar as ações do lado da antiga Secretaria de Educação. Como não exercia a profissão, fiz questão de não identificar os responsáveis, mas, havia faculdade, uma startup e outros movimentos, além de chamados para palestras e eventos dentro dos museus – um me seduziu. Então, entrei no Gerdau para assistir reunião do grupo “Padecer no Paraíso” que, acredito, iria falar sobre inclusão de crianças através do mundo digital. Não fiquei muito tempo, queria mesmo era a praça.

Lá, de tudo um pouco: muita gente passeando com seus cães, algumas bicicletas e muitos encontros... O que me interessa: no coreto, moradores de rua, que também podem ser chamados hippies, faziam uma festa daquelas a partir do violão de um deles. Dançavam freneticamente – todos só de calça ou bermuda e, na medida em que conseguiam emitir algum som, misturavam versos musicais incompreensíveis e gritos de viva Bob Marley.

Não muito longe dali um outro descolado, só de short, com vasta cabeleira e uma mochila a tiracolo, se comprazia em ser o único expectador de um sanfoneiro arretado que soltava a voz entoando desde Jair Rodrigues até Trio Parada Dura. 

Na alameda principal, a Travessia, jovens de periferia curtiam seu momento de Zona Sul revezando-se em poses e fotos, além de animada prosa, na confraternização que possivelmente seja de fim de ano.

O mais interessante, no entanto, continuam sendo os namoricos. Praça é lugar de namorar. E nesse domingo, às 14h, contei pelo menos 12 casais. Os heterossexuais ainda prevalecem, mas, se você é mais conservador, prepare seu coração porque as moças já se dão as mãos também na praça. Vi dois rapazes abraçados. Você pode até dizer que não acha bonito, mas, não conte comigo para censurar. O que o mundo todo deveria fazer é abraçar, dar as mãos, carinho...

É muito legal ver a praça que é sinônimo de liberdade ocupada por seus mais legítimos donos. Pena que esteja maltratada, parece já não ter o patrocínio e o cuidado diuturno da MBR. Pena, também, que já não tenha o relógio digital. Que as flores não estejam prontas e adubadas para receber a bênção das chuvas... Ah, pena é de quem não passeia na praça.

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