Eduardo Costa

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Ano Novo, de verdade!

26/12/2017 às 09:47

 A nenhum ser humano é dado o direito de desconhecer as estranhezas do mundo. Mesmo aquele que vive em pontos mais remotos percebe entre a fartura na mesa do fazendeiro e a oração por um pouco de chuva do sertanejo, uma distância abismal de perspectivas de vida. Quem percorre o noticiário, ainda que minimamente, tomou conhecimento de pelo menos 10% das homilias do Papa Francisco no dia 25, quando ele enumerou inúmeros descaminhos da humanidade, especialmente quanto aos imigrantes e à dificuldade de entendermos que Jerusalém pode ser a capital de dois estados e acolher todos nós em paz.

Nós, os jornalistas, temos responsabilidade dobrada. Afinal, “a quem mais é dado mais será cobrado”, e a nossa rotina nos obriga a contato diário com as extremidades: governantes que dizem não ter dinheiro para pagar o salário continuam passeando de helicópteros, oferecendo banquetes e vivendo na ostentação; a servidora da cantina, o técnico de enfermagem choram desesperados porque o 13º, quando vier, e se vier, não permitirá mais uma garrafa de vinho popular ou um peru para a ceia com a família; pior, não dará para pagar a conta de luz que, preparada pelo mesmo governo, não perdoa sequer os juros e a multa.

Nós, os jornalistas, entrevistamos todo dia gente que se supera, pessoas que festejam o simples fato de estarem vivas, enquanto outras, com riqueza e conforto, destilam ódio e maldade. Temos a obrigação de saber quantos estão morando debaixo do viaduto, o mesmo viaduto que pode ter sido superfaturado, que pode cair, sem consequências para quem fez ou contratou. Descobrimos, no riso farto de quem ganhou um prato de comida e viu Papai Noel de perto o quanto a carência vai além de toda a nossa imaginação. Aprendemos o verdadeiro significado de uma palavrinha que está na moda: resiliência... Que pode ser traduzida como a capacidade de determinada substância se adaptar a novas circunstâncias e, no caso humano, de como seremos capazes de sobreviver comendo filé ou rato.

Não posso falar pelos colegas, mas, o que peço a Deus para o Ano Novo está descrito na oração da serenidade:

Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não posso modificar.
Coragem para modificar aquelas que posso e
Sabedoria para conhecer a diferença entre elas.

Que eu tenha a força necessária para continuar apontando as injustiças, pedindo correção de equívocos, exigindo respeito ao dinheiro público e compaixão para com os mais necessitados. Mas que eu tenha serenidade para fazê-lo sem confundir crítica com agressão, pergunta com provocação e tendo sempre em mente a sentença do Papa João Paulo II: “Não haverá paz enquanto não houver justiça social”.

Para que o Ano Novo seja, de fato, diferente e esperançoso, peço a Deus humildade para tratar os mais simples, especialmente os que estão em posição profissional inferior à minha, e coragem para, respeitosamente, insistir junto aos poderosos de que a gente precisa cobrar. E que o interesse comercial da empresa na qual labutamos, que devemos respeitar porque paga nosso salário, deve estar sempre um passo atrás do dever da informação; afinal, há décadas aprendi que, no fazer jornalístico, o bom trabalho gera credibilidade, que cria audiência, que resulta em faturamento.

Obrigado, Papai do Céu, por tantas realizações em 2017, por ganhar o pão em duas empresas que me respeitam, estar cercado de companheiros que aprecio e por receber tanto carinho de milhões de mineiros. Eu disse milhões. Obrigado por minha família. Prometo tentar ser melhor em 2018 e peço aos céus para que todos tenhamos dias melhores.

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    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

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