System.Collections.Generic.List`1[Site.ViewModels.BannerTopoViewModel]
Cadu Doné

Coluna do Cadu Doné

Veja todas as colunas

Munição aos detratores

Um dos poderosos do nosso esporte num escândalo seríssimo; e boa parte da imprensa prefere falar de “briguinhas” bobas entre jogadores – algumas que, no fundo, nem aconteceram como dão a entender...

12/09/2017 às 07:12

Dentro de uma perspectiva pouco técnica/intelectualizada, simplória, e ao mesmo tempo com pretensões taxativas, deterministas, um dos discursos mais onipresentes nas tentativas de “explicar” resultados desfavoráveis de times diversos – costumeiramente nadando numa abstração aparentemente redentora, mas que nada diz – é o de que há “crise interna”. “Problemas no grupo”. “Elenco rachado”.  Em geral, estes diagnósticos são dados em situações nas quais supostamente alguns integrantes do plantel não se dão bem entre si – ou com o treinador. De cara, uma pergunta: alguém já viu ambiente do trabalho em que não existe uma rusga sequer – não me refiro necessariamente a brigas concretas; entram no pacote espécies distintas de resistência que não chegam, digamos, a materializar-se num conflito propriamente dito e/ou no mundo exterior? Em segundo lugar: será que já habitou o planeta um chefe que provou-se unanimidade, em ampla acepção, perante seus subalternos? Para fechar: seria o vestiário dos esquadrões vencedores um céu de brigadeiro?

As últimas semanas foram pródigas para quem adora rodeios, notícias, fake news, elucubrações eternas e filosofia de botequim que giram em torno “das grandes mazelas da nossa nação”: “será que fulano gosta do treinador? E aquele zagueiro? Mandou recado para o meia peruano?” No mundo de especulações, dos “debates” em programas esportivos sedentos por audiência – nem tanto por qualidade... –, muitos “jornalistas” ficaram ouriçados. Felipe Melo x Cuca, round 37; Rodrigo Caio x Cueva, assaltos um e dois. “É bom demais para ser verdade!” “Vamos bombar nas redes sociais!” “Nossa hashtag é trending topic do Twitter!”

Frequentando profissionalmente meios diferentes – do futebol, da filosofia e da literatura –, em incontáveis oportunidades me deparei com o desprezo/preconceito que intelectuais carregam pelo trabalho do jornalista esportivo. Em grande medida, óbvio, erro, injustiça e desinformação – inclusive pelo fato de, historicamente (no Brasil, mas não somente), vários gênios/pensadores consagrados terem se envolvido em larga escala com este tipo de ofício (ainda que circunstancialmente, periodicamente). Por outro lado, numa semana em que Carlos Arthur Nuzman, um dos homens mais importantes/poderosos do esporte brasileiro, mandachuva de uma dinastia aparentemente sem fim, surge no noticiário enrolado em escândalos tão numerosos quanto variados, e a maioria da mídia boleira prefere se perder num looping inútil regurgitando por horas “opiniões” e achismos – num tom predominantemente infantil – sobre o “climinha” entre jogadores adultos, e em quase todas as esferas, insignificantes para o debate/interesse coletivo, ela dá munição para os seus detratores. É como se em meio a um escândalo que coloca em cheque todo um modos operandi do Ministro da Economia – e muito dinheiro público, direta e indiretamente – no exercício do seu cargo as editorias desta área priorizassem largamente a repercussão de entreveros cotidianos entre dois trabalhadores do botequim da esquina – ou de uma grande rede varejista, sei lá (detalhe menor). Para o imediatismo da audiência, pode funcionar; mas em infinitas outras camadas, é cavar/provar a própria irrelevância. Traçar o caminho para o ostracismo.

Noves fora estas questões centrais destrinchadas, que perpassam aspectos filosóficos, a crise que o jornalismo vive, uma inversão de valores/prioridades típicas das sociedades humanas desde sempre (...), há o detalhe rapidamente tratado no primeiro parágrafo: as reais – ou supostas – crises de relacionamento entre atletas, ou a insatisfação de uma ou outra peça com seu treinador raramente explicam o resultado dentro de campo. Abordando a situação Rodrigo Caio x Cueva, no último final de semana, uma apresentadora de TV – competente, por sinal – disse algo na linha: “no futebol, não há verdade que fique escondida”. Ledo engano. É exatamente o contrário. E a experiência apurando, transitando no meio – bem como a correta visão intelectual/filosófica –, quando bem aproveitada, escancara essa leitura para o profissional. Muito mais certeira é a famosa proposição de Muricy de que a imprensa sabe uma porcentagem ínfima do que se passa nos vestiários. E essa consciência, essa humildade para reconhecer certo tipo de desconhecimento, a possibilidade de tudo saber, de modos distintos, haveria de interferir com muito mais frequência na escolha dos tópicos que a serem discutidos nos programas – e na maneira de debatê-los, de edificar argumentos, teses, posições, discursos.

Escreva seu comentário

Preencha seus wdados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Prefeitura retoma diálogo com moradores de rua em ação para desobstruir vias de BH: https://t.co/6m3Rfcv5T8 https://t.co/XsrbklyYDe

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Senado rejeita tornar funk crime: https://t.co/wNYy66rvE9 https://t.co/TFBADeatIt

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Senado rejeita tornar funk crime: http://bit.ly/2xS0ulf

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Senado rejeita criminalizar funk: http://bit.ly/2xS0ulf

    Acessar Link