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Ceni, Osorio e Galo

Por méritos próprios, e eliminação, Ceni surge como uma das melhores soluções...

17/04/2019 às 03:22

Quando um clube busca treinador, na análise das possíveis opções para o cargo, normalmente deve-se levar em conta um leque que soma os desempregados àqueles que estão em agremiações claramente com menores recursos financeiros, de material humano, status no mercado. Afinal, isso tornaria tais comandantes, digamos, mais “atingíveis”, “plausíveis”. Acessíveis numa perspectiva minimamente realista. Dentro deste raciocínio, desde que Levir foi demitido, considerei Rogério Ceni e Osorio os melhores nomes para o Galo. Óbvio que tentar alguém de peso que se encontra num gigante do mesmo patamar que o seu não é proibido. Mas nesse caso, não me parece prudente colocar todos os seus ovos em uma cesta que dificilmente dará frutos.

Há vício de se avaliar técnicos norteando-se por etiquetas. O “iniciante”, o “inexperiente”, o “medalhão”, o "estrangeiro"  – este é o melhor... As coisas não devem ser tão matemáticas, tão simplórias assim. Indispensável mostra-se colocar na balança, por exemplo, todo o nível intelectual, o conhecimento, o potencial que o profissional em questão já demonstrou publicamente por diferentes caminhos. Neste aspecto, entrevistas, explanações diversas realizadas sobre o nosso esporte não podem acabar desconsideradas totalmente. Tampouco toda uma carreira como jogador. Sobretudo de um atleta nitidamente peculiar: em termos de liderança, compreensão do jogo, inteligência para concatenar as proposições, capacidade para se expressar... Me impressiona, por estes fatores, notar muita gente classificando indivíduos como Ceni e Roger Machado na mesma prateleira de “novatos” como Thiago Larghi, Barbieri – aos quais, deixemos evidenciado, se provaria equivocado aplicar qualquer reducionismo a priori, por um simples rótulo... Não estou também aqui desprezando o estudo, a maturação após a vida de boleiro. Bom senso, percepção, uma espécie de feeling embasado... Estes elementos precisam entrar na equação de um exame adequado, completo.

Certeza de sucesso, no futebol, nunca se possuirá. Até porque, êxito, num campo rotineiramente tão injusto, é pra lá de relativo. Em ótima medida, aliás, no São Paulo, o trabalho de Ceni sofreu com o imediatismo, o anti-intelctualismo que tanto machucam o futebol tupiniquim – assim como Osorio frequente e estupidamente com boa parte da mídia mexicana antes e até durante a Copa do Mundo na qual bateu a Alemanha e, estrategicamente, foi muito bem contra o Brasil (adotou expedientes similares aos de Martínez, e se tivesse peças melhores poderia nos ter eliminado pelo que realizou em larga fatia do primeiro tempo). Na prática, colecionou fracassos em ocasiões que não merecia pelo desempenho que apresentou. Para quem observa rendimento, qualidade coletiva, ideias e aptidão para aplicá-las, sinais assaz positivos deram as caras com vigor em sua curta trajetória no clube onde é o maior de todos os tempos. Conversando com companheiros que acompanhavam o cotidiano tricolor nesta época, as informações que tenho sobre os métodos que ele empregava são as melhores possíveis. Wesley, meia que passou pelo América, me confidenciou que Ceni, nos meses em que o chefiou no Morumbi, não repetiu um treinamento sequer – dos mais de cem que conduziu. Triunfar na Série B com um plantel normal para o nível da competição, com regularidade, convencimento e consistência indiscutíveis, não é de se jogar fora também...

Em todo contexto de contratação, o aspecto comparativo, de realidade do mercado em pauta, entra no pacote da apreciação. A ausência no Brasil de nomes consolidados na profissão de treinador que reúnem um tipo de firmeza, de experiência preconizadas  – às vezes com razão, às vezes de um jeito que exala desconhecimento, superficialidade  – com boas perspectivas nas searas do estudo, do pensamento, da leitura tática, da atualização, dificultam o labor de qualquer diretoria de time grande que precisa achar alguém para este posto. Mano, Tite, Cuca, Renato Gaúcho... Quem mais, grosso modo, não se enquadra ou na prateleira dos "novatos" ou dos "ultrapassados"   – lembrando que não gosto da forma com que estes rótulos costumam vigorar? Esse ponto, a pasmaceira do nosso cenário de "professores" faz com que, de certa forma, nomes como o de Ceni necessitem menos da cobrança por não "queimar etapas".      

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