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Um cruzeirense subestimado

O fato de não 'ter dado certo' em SP pesa...  

15/03/2019 às 02:51

Vinnicius Silva/Cruzeiro

No gol do Cruzeiro contra o Huracán, pela estreia na atual Libertadores, tivemos uma amostra clara da movimentação típica de dois dos mais badalados meias celestes: Robinho saindo da direita para arquitetar por dentro, pensar o jogo, ser o principal organizador; Rodriguinho centralizado funcionando como uma espécie de segundo atacante, avançado, entrando na área, se aproximando de Fred. Na teoria, no desenho inicial do 4-2-3-1 de Mano, o primeiro é a peça que opera pela direita, ajudando Edílson, enquanto o autor do gol e melhor em campo na Argentina é o armador, o “camisa 10” clássico. Em termos práticos, entretanto, na circulação afinada, bem ensaiada pelo ótimo treinador cinco estrelas, os papéis frequentemente se modificam, nos moldes explicitados; qual Thiago Neves no ano passado, Rodriguinho deixa de servir para finalizar as ações, e Robinho abandona os flancos para, afunilado, como diria o nosso craque Samuel Venâncio, se transformar no verdadeiro maestro da companhia.   

Muito se fala do dilema para encaixar Thiago Neves e Rodriguinho juntos. A dificuldade, no fundo, pelo melhor dos motivos, se evidencia mais complexa: pelo que tem jogado – não apenas nesta temporada –, Robinho não pode sair do time. Como ele também não é um velocista, assim como os dois primeiros citados, eis o enigma que Mano precisa resolver: será possível escalar um trio de ligação tão técnico, tão cerebral, porém despido de um escape de mais rapidez, agilidade, pelas beiradas?

Diante do Tombense, no último domingo, a Raposa revelou flexibilidade no que tange aos sistemas adotados. Em diferentes instantes do cotejo, foi possível enxergar, além do tradicional 4-2-3-1, um 4-3-3 com Thiago Neves caindo mais pela direita e Jadson não tão aberto como se encontraria Robinho originalmente; um 4-4-2 com TN10 surgindo como a ponta do losango e David, pela esquerda, aparecendo como um parceiro de Sassá; por fim, na segunda etapa, um esquadrão com duas linhas de quatro e uma dupla de frente composta por Renato Kayser e Vinícius Popó – este primeiro entrou inicialmente pela esquerda, mas depois passou a atuar como um parceiro propriamente dito para a joia da base azul, o que denota como Mano, contrariando o propagado estereótipo a seu respeito, tem variado.     

Dentro destas mutações de esquema, o que mais me chamou atenção na mais recente rodada do mineiro foi o fato de Thiago Neves ter pendido, mais do que o normal, para a extremidade direita. Ele não permaneceu o tempo todo por lá e não teve, por exemplo, de acompanhar lateral – Jadson fazia a cobertura pelo setor, apesar de não ter ficado tão espetado nesta parte do duelo. Seria um ensaio de Mano imaginando um 4-3-1-2 com Robinho mais recuado, não exatamente como um extremo, Rodriguinho como o “número um”, e Thiago como um segundo atacante – com estes dois últimos podendo inverter as funções frequentemente ou até operando como uma dupla por trás do centroavante, num exemplar da formação chamada historicamente de árvore de natal? Como, entre outras coisas, Mano me parece muito preocupado com a marcação pelos lados, com as dobras realizadas neles na fase defensiva, sigo um tanto reticente quanto a estas possibilidades. Mas quem sabe...

Um dos pontos a serem considerados em meio a todas estas reflexões é o nível de excelência adquirido por Robinho na execução de um complexo labor como “ponta-meia”. Ele se prova recorrentemente tão talentoso na leitura do jogo, na capacidade de saber o exato instante de abrir, o momento ideal para afunilar, que dá receio de mexer e perder algo tão esmerado com a continuidade. Robinho é subestimado nacionalmente enquanto jogador, em geral, por não ter obtido determinada sequência no Palmeiras. Especificamente, também é bem menos celebrado do que deveria como protótipo raro de inteligência para ocupar os espaços e escolher as jogadas certas.   

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