Cadu Doné

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Avaliando jogadores com olhos diferentes...

Meio-campista técnico e, logo, mais adiantado. Volante de pegada que, por essa característica, obrigatoriamente, atua recuado, próximo aos zagueiros. Vícios, bobagens...

01/11/2018 às 11:07

No Brasil, quando um volante possui razoável técnica, aceitável qualidade, fala-se bastante que ele é a figura responsável por “sair mais para o jogo”. Por outro lado, no instante em que encontramos um corredor nato, um cara sedento, implacável na marcação, na perseguição aos adversários, e carente de um refinamento ao menos mais visível, costuma-se cravar: “camisa 5”, “cão de guarda”, “Pitbull” do meio-campo. Estes rótulos não passam de exemplares clichês que rondam as análises futebolísticas por aí; denotam preguiça intelectual, ignorância e brigam com diversos fatos – atuais e passados.  

Talvez a equipe do mundo que mais venha subvertendo o descrito lugar-comum, nesta temporada, seja o Chelsea, do ótimo italiano Maurizio Sarri. Na sua ida para Londres, ele levou seu fiel escudeiro dos tempos de Napoli: Jorginho, volante brasileiro que perdemos para a seleção italiana – ainda bem que Tite chamou Allan na última convocação, evitando novo prejuízo. Se Jorginho é daqueles volantes clássicos, que atuam de cabeça erguida, e Kanté, que já estava nos blues, revela outro estilo, mais mordedor, a lógica de um comentário simplório daqui seria imaginar o francês abrindo o meio-campo, mais recuado, e o brasileiro/italiano com mais liberdade, um tanto à frente deste alicerce da destruição. O posicionamento de Kanté na França campeã do mundo poderia incentivar o raciocínio traçado: lá ele foi realmente o primeiro volante.

Sarri anda fazendo uma transformação profunda no Chelsea. Em termos de sistema e filosofia. Trocou o 3-4-3 – que virava 5-4-1 no momento defensivo – de Conte, que chegou a dar o título aos súditos de Abramovich, por um 4-3-3 voltado ao ataque. As ideias de priorizar a defesa, de um jogo mais rústico, e de aceleração, de certa verticalidade, foram substituídas por uma pautada na obsessão pela posse. No novo meio-campo, um triângulo: Jorginho mais recuado; à frente dele, Kanté um pouco à direita, e Barkley pela esquerda – este foi o tripé, inclusive, da goleada no último domingo contra o Burnley. O objetivo de Sarri com esta disposição é que Jorginho, passador, controlador de jogo, inicie a fase ofensiva, seja um armador lá de trás, clareie as ações no seu início, na saída de bola, sempre selecionando a melhor jogada logo de cara, em seu nascedouro. Kanté, por seu vigor físico, mais adiantado, e com a proteção de um companheiro por trás dele no meio-campo, estaria mais apto a fazer uma espécie de “vai e vem”: quando quer avançar um pouco o combate, pegar um adversário no campo da defesa inimiga, pode dar uma arrancada para este bote; não obtendo resultado com a tentativa, tem mais velocidade para voltar rápido e preencher o meio.  

Olhando para o passado, outro técnico italiano nos brindou por anos com um dos melhores exemplos da teoria aqui esmiuçada: Carlo Ancelotti – que curiosamente substituiu Sarri no Napoli nesta temporada –, nos seus áureos tempos de Milan, deixava quase sempre Pirlo como o volante mais recuado e Gattuso – hoje treinador Rossonero – mais à frente, com liberdade para ir à caça e voltar.  

Tite descreveu Firmino, certa vez, como um centroavante com cara de camisa 10. Em ótima medida, em geral, o atleta do Liverpool sempre foi visto no Brasil como um “9” não tão típico assim. Característica de sair da área, contribuir na construção, esse tipo de coisa. Ainda assim, talvez seja o instante de notarmos este atleta de nova maneira, escapando a alguns vícios; nesta temporada, Firmino frequentemente não tem sido “apenas” um “homem gol que agrega de modo mais amplo”; em muitos momentos, de um jeito mais cristalino, fixo, no Liverpool, ele não vem sequer se posicionando como “o cara mais adiantado em boa parte do tempo”. No fim de semana, diante do Cardiff, fora o armador centralizado do conjunto, claramente mais recuado do que Salah e Mané. Literalmente, “o” 10. Não um 9 com “pinta de”... 

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