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Conte, Mano, Ceni e tendências táticas

Conte, Mano, Ceni e tendências táticas

16/05/2017 às 07:38

Na Europa muitos têm imitado Conte. Por aqui, Ceni e Mano...

 

O sucesso do Chelsea com Antonio Conte fez do 3-4-3 uma espécie de esquema da moda nos meios mais vanguardistas do futebol. Os azuis de Londres conquistaram a Premier League na sexta, e em toda a trajetória dos campeões, mais interessante do que observar o sistema utilizado foi perceber certas nuances de sua aplicação. Exemplo? Como em determinados pontos do campo o badalado treinador italiano fugiu do rótulo que alguns jogadores recebem em suas fichas; o professor pensou fora da caixinha, avaliou mais a essência, as características dos atletas do que a representação, a nomenclatura, o carimbo de uma posição que supostamente os define.   

Dois casos saltam aos olhos no sentido explicitado. Azpilicueta sempre foi visto como um bom lateral. Nada muito além. Físico razoável. Não exatamente conhecido pela força, pela potência na marcação. 1,78 m de altura. Não um craque no apoio, mas superior no auxílio ao ataque do que na proteção da defesa. Depois de um início ruim na Liga Inglesa, Conte abandonou a formação que começava com uma linha de quatro, recorreu ao 3-4-3 que lhe consagrara no comando da seleção italiana – inclusive na Euro da França, quando a Azurra foi mais longe e jogou melhor do que se esperava –, e escalou Azpilicueta como um dos seus três zagueiros, ao lado de Cahill e David Luiz. Dizer que deu certo seria subestimar. O efeito foi incrível. Tão forte quanto instantâneo.

Um dos desdobramentos legais de se ter um lateral com bom grau de habilidade e leveza como um dos três beques é que, pontualmente, esta peça pode abandonar o trabalho de defensor e surgir como elemento surpresa no ataque, pelo lado do campo, frequentemente sem marcação. Esse tipo de dinâmica talvez dependa tanto da inteligência do comandante para orientar, quanto da capacidade de leitura/absorção do pupilo para saber o instante exato de se permitir essa ousadia. Afinal, estamos falando de alguém que terá como prioridade defender, preencher a primeira linha, bater de frente com atacantes, armadores e “pontas” – às vezes sem aspas – adversários. Se estas investidas circunstanciais no setor ofensivo forem constantes demais, não só o recurso se torna manjado como o momento defensivo do conjunto em tela provavelmente passará por riscos exagerados, flertes excessivos com o perigo. Curiosidade: o gol do título dos Blues aconteceu numa dessas “aparições” do zagueiro Azpilicueta na direita do ataque.

Outra escolha um tanto original de Conte na construção do seu time-base responde pelo nome de Victor Moses. Meia-atacante de origem, o nigeriano era também descrito pelos ingleses como um winger. Como tal, atuar aberto nunca foi um mistério para este jogador. Mas Moses sempre teve estilo muito agressivo, incisivo: de se mandar, parecer acima de tudo um ponta ou um tipo de “segundo atacante de beirada”, se tivermos em mente um 4-4-2 brasileiro típico da década de 90. Não seria nenhum absurdo imaginá-lo, sobretudo antes da conversão propiciada pelo seu técnico atual, como um centroavante.

Na mecânica do recém-campeão da Terra da Rainha, para fazer a ala direita, ao invés de Conte optar, digamos, por um “lateral com traços ofensivos”, ou por um “meia que funcionasse pela beirada, mas para quem a função de fechar o flanco parecesse mais natural”, selecionada foi uma arma enxergada por quase todos como estritamente de ataque, até então; um sujeito que, inicialmente, numa leitura mais conservadora, poderia soar ofensivo em demasia para o ofício em questão. Como o 3-4-3 do Chelsea – caberia tranquilamente defini-lo como 3-4-2-1, até prefiro esta “terminologia”, considerando que Hazard e Pedro (às vezes Willian) claramente laboram como um elo entre o meio e o centroavante Diego Costa – se transforma num 5-4-1 na fase defensiva, não deixa de ser um pouco inusitado vermos como principal marcador por uma das extremidades – não um auxiliar de lateral, na segunda linha, mas como “A” figura mais recuada para combater por ali – um cara tão associado ao aspecto ofensivo do jogo.    

Se a forma de Conte montar seus esquadrões já vem inspirando muitos de seus contemporâneos europeus há um bom tempo, no Brasil, aos poucos, estes conceitos começam a entrar. Mano Menezes, no segundo tempo do primeiro jogo contra o Grêmio, no Mineirão, pela Copa do Brasil de 2016, colocou seu escrete num 3-4-3 com Edimar, lateral de origem, integrando a trinca de zaga. Na sexta passada, em treino na Toca, o técnico azul testou desenho similar com Fabrício sendo o “Azpilicueta da vez” – não creio que seja a alternativa ideal para este tipo de papel, diga-se; longe disso. No último domingo, foi a vez de um adversário da Raposa “imitar” o Chelsea atual: Rogério visivelmente apropriou algumas ideias apresentadas pela equipe inglesa para a sua versão do 3-4-2-1 – em outra oportunidade prossigo no assunto e explico quais. 

 

 

Mensagem aos leitores: ainda estamos finalizando algumas novidades para este blog. Em breve, o espaço para comentários voltará. Outras novidades aparecerão. Enquanto não lançamos nossas novas plataformas de interação, sigo aguardando sua mensagem pelo [email protected] .

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