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Técnicos além dos clichês

A compreensão dos técnicos costuma ser extremamente enviesada. E quando, de um lado, o “ultrapassado” goleia o “criativo”, mas, do outro, o “prodígio” bate o “pragmático”? Para onde imprensa e público vão levar suas “teorias”?

23/05/2019 às 03:58
Técnicos além dos clichês

O “ultrapassado” Felipão goleou o “inventivo” Sampaoli. O “criativo” Fernando Diniz passou o trator em cima do “pragmático” Mano Menezes. Carille, aprendiz do gaúcho cruzeirense, ora integrante da escola dos “novos”, “modernos”, ora padecendo no reino dos “resultadistas”, ganhou e não levou: sucesso de público, fracasso de crítica – mais espinafrado pelo sufoco sofrido, pelos poucos arremates, do que paparicado pelos gols marcados. Tiago Nunes, derrotado no mesmo cotejo, aplaudido inclusive por quem nunca viu um tempo sequer do Athletico-PR – simplesmente por uma aura de vanguarda, “culto ao estudo” (em considerável medida, justa, diga-se de passagem) acerca do Furacão edificada no senso comum nos últimos anos. Renato Gaúcho, até então surfando num mar de unanimidade – amado tanto pelos “boleiros” em função do discurso, do jeito, do ar um tanto, digamos, “pouco teórico”, quanto pelos “neotáticos” (como diria Juremir Machado da Silva, ótimo jornalista gaúcho), devido ao futebol de posse e passe de fato praticado pelo seu esquadrão –, com dificuldades. 

Na vida, no futebol, normalmente achamos primeiro, e encontramos os motivos depois. A repercussão sobre a rodada do Brasileirão foi o mais perfeito exemplo disso. Para quem quer se apegar só ao procedimental, ao palpável, há placares que te levam para onde você quiser. É possível “embasar” todas as “teorias”. Critica-se e elogia-se com alguma correção pelas razões equivocadas, por caminhos tortuosos. Julga-se sem o acompanhamento mínimo dos jogos, por simples ondas que vão se formando, pela apropriação de falas.  

Além da superficialidade dos rótulos, tão alardeada por mim neste espaço, relacionada a ela, na verdade, uma necessidade para o nosso debate: imprensa e público precisam entender que muitas vezes um técnico possui várias características que contribuem para que ele se enquadre em determinado perfil, mas que pequenos detalhes no campo da falta de percepção, da capacidade de avaliação, no dia a dia, podem ser decisivos. Exemplo: um sujeito estudioso, ambicioso, que gosta de atacar, controlar os duelos, bem informado acerca de tudo o que se faz neste aspecto atualmente, preparado para aplicar os métodos de treinamento corretos para que a mecânica do conjunto funcione de acordo com essa filosofia, porém que, no fundo, ao apreciar certos atributos dos seus atletas, não realiza boas escolhas; não acerta a mão, não carrega a sensibilidade para sacar o custo-benefício, o risco de cada preferência. Caso de Paulo Bento no Cruzeiro, completamente incompreendido. Ele não foi o desastre nos termos que muitos apontam. E não digo que mereceu exaltações no âmbito geral, que o saldo de sua passagem provou-se positivo. 

É bizarro, todavia, independentemente de qualquer coisa, deste e de outros “cases” pontuais, que se tenha preconceito com Jorge Jesus porque “portugueses não deram certo em Minas”. Não são as mesmas pessoas, ora. Fernando Diniz, Mano, Luxemburgo e Levir: todos brasileiros. Todos completamente diferentes. Nem digo que o Atlético deveria trazer o ex-comandante do Benfica, não entro nesse mérito – entre outras coisas: parece caro demais. Tenho minhas dúvidas se valeria a pena, apesar de considerá-lo ótimo profissional. Também gosto bastante de Rodrigo Santana. Só espanta a superficialidade que ainda reina no meio do nosso querido esporte. Se algum técnico tupiniquim, ao ser minimamente cogitado fora, fosse alvo de alguns exames que ouvimos comumente por nossas bandas com relação aos estrangeiros, ficaríamos certamente ofendidos; o alarde seria enorme, inclusive, por parte de jornalistas daqui que incorrem no equívoco em questão ao falar de “gringos”...

Crédito das fotos: Vinnícius Silva/Cruzeiro, Divulgação/Athletico-PR, Lucas Merçon/Fluminense F.C e César Greco/Ag.Palmeiras

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